A história de San Tirso… uma igreja no Caminho de Santiago que volta a respirar

Durante mais de 25 anos, a igreja de San Tirso, em Palas de Rei (Lugo), sofreu em silêncio de um problema invisível e persistente: a humidade. O que começou por ser um incómodo estrutural acabou por se transformar numa ameaça para a saúde de quem a visitava e para a conservação de um bem patrimonial que faz parte da alma do Caminho de Santiago.

E essa alma é também portuguesa. Por San Tirso passam peregrinos de todo o mundo e, muito em especial, os milhares de portugueses que todos os anos seguem o Caminho rumo a Compostela. A história desta igreja não é, por isso, uma história distante: é parte de um percurso que pertence tanto à Galiza como a Portugal.

Ano após ano, as humidades aumentavam. As paredes vertiam água, o retábulo deteriorava-se, o ambiente tornava-se cada vez mais pesado. “Era uma sensação de desconforto constante. Um mau ambiente que afetava os visitantes e gerava episódios de tosse e problemas respiratórios”, recordam desde a câmara municipal. Apesar das tentativas para solucionar o problema — investimentos em aquecimento, pequenas reparações —, nada parecia funcionar de forma definitiva.

virgensita de guadalupeUma ação social com vocação de serviço

Foi então que os caminhos se cruzaram. A partir da Murprotec, já se vinha a desenvolver uma iniciativa de responsabilidade social corporativa centrada na conservação do património histórico na Galiza. A igreja de San Tirso, pela sua localização estratégica no Caminho de Santiago e pelo estado avançado de deterioração, tornou-se na candidata natural para esta ação.

Graças à mediação do presidente da câmara e ao conhecimento mútuo, estabeleceu-se um acordo que permitiu à Murprotec atuar. Mas não se tratava de uma obra qualquer. “Esta igreja tinha um problema sério”, recordam do departamento técnico da empresa. “As paredes perimetrais, com mais de um metro de espessura, estavam profundamente afetadas por humidade por capilaridade, e o excesso de água gerava inclusive a proliferação de fungos no interior.”

Uma solução eficaz e sem alterar a vida do templo

A solução passou pela aplicação de uma barreira química anti-humidade. Uma intervenção complexa, executada com precisão e cuidado. “Tratámos ambos os lados da parede simultaneamente para assegurar a eficácia, mas o mais importante é que a vida diária da igreja não parou um único dia. Os peregrinos e os paroquianos continuaram a entrar e a sair quase sem notarem que estávamos lá.”

Isto foi especialmente valorizado pelos responsáveis da paróquia. “Era fundamental não interromper as missas nem a atividade da paróquia, sobretudo estando tão perto do Caminho. E conseguimos.”

Devolver a grandeza a um lugar sagrado

Hoje, a igreja de San Tirso recuperou a sua estabilidade, a sua saúde e a sua grandeza. Já não há manchas nem odores, nem mau ambiente. “O ar é outro. E, sobretudo, as pessoas podem vir à missa sem medo, sem desconforto. Isso é o que mais valorizamos.”

Na câmara municipal têm uma certeza: “Este tipo de intervenções deveria fazer parte do compromisso de todas as administrações. O património não é apenas história, é identidade, é comunidade. E a Murprotec demonstrou que é possível intervir com rapidez, eficácia e sem alterar a envolvente.”

Esta atuação converteu-se num ato de compromisso com a memória coletiva da Galiza e com todos os peregrinos, galegos, portugueses e de tantos outros lugares, que diariamente percorrem esse troço do Caminho.

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